Principais pontos
- A União Europeia determinou em 15 de julho de 2026 que o Google deve abrir 11 recursos do sistema Android e de busca para rivais de IA.
- Nos EUA, o procurador de San Francisco ordenou em 2026 a remoção de 13 aplicativos de IA de 'nudificação' das lojas do Google e da Apple.
- As big techs têm um prazo de 28 dias para responder à notificação americana e já removeram pelo menos 8 aplicativos denunciados nos relatórios.
No dia 15 de julho de 2026, a União Europeia ordenou que o Google abra os serviços do sistema Android e de busca para empresas concorrentes de inteligência artificial (IA). A decisão, válida exclusivamente para a região da União Europeia, estabelece regras para equilibrar a concorrência frente ao Gemini, plataforma de IA da própria companhia.
As novas obrigações determinam a abertura de 11 recursos do sistema Android. Entre as exigências, o Google deverá permitir o funcionamento de assistentes de voz de terceiros em celulares Android e compartilhar dados anônimos de busca com desenvolvedores de IA rivais. As medidas entrarão em vigor no próximo ano por meio de atualizações do sistema.
Impactos no Android e preocupações com segurança
A regulamentação tem como base a Lei dos Mercados Digitais da União Europeia, que fiscaliza a atuação de grandes corporações de tecnologia. O Google havia lançado novos recursos de IA integrados ao Android durante o primeiro semestre de 2026. Em posicionamento oficial sobre a decisão, Kent Walker, Presidente de Assuntos Globais do Google, afirmou que as mudanças podem "comprometer salvaguardas vitais de privacidade e segurança para milhões de europeus".
Pressão contra deepfakes de IA nos Estados Unidos
Enquanto enfrenta decisões regulatórias na Europa, o Google e a Apple também sofrem pressão legal nos Estados Unidos. David Chiu, procurador-geral de San Francisco, ordenou que as duas empresas removam de suas lojas virtuais 13 aplicativos de "nudificação". Esses softwares utilizam inteligência artificial para remover roupas de pessoas ou sexualizar fotos comuns sem o devido consentimento.
A prefeitura de San Francisco baseou a ordem em relatórios de janeiro e abril de 2026 do Tech Transparency Project, que denunciaram dezenas desses aplicativos. De acordo com Chiu, "Apple e Google estão lucrando com aplicativos que exploram mulheres e meninas gerando deepfakes íntimos não consensuais". O procurador acrescentou que "Essas imagens são usadas para intimidar, humilhar e ameaçar mulheres e meninas. Este setor tem um impacto horrível na reputação, saúde mental e perda de autonomia. Houve vítimas que chegaram ao suicídio." A estimativa é de que as duas gigantes de tecnologia tenham lucrado milhões de dólares com taxas de downloads e assinaturas desses programas.
Respostas das empresas e moderação de conteúdo
As companhias possuem um prazo de 28 dias para responder à notificação da prefeitura de San Francisco. Diante das denúncias, o Google declarou ter suspendido cinco aplicativos mencionados e restringido termos de busca relacionados a esse conteúdo. Dan Jackson, porta-voz do Google, afirmou que "O Google Play não permite aplicativos que contenham conteúdo sexual e tomamos medidas proativas contínuas para detectar e remover aplicativos com conteúdo prejudicial."
A Apple informou que removeu três aplicativos e iniciou o encerramento das contas dos desenvolvedores responsáveis. Em comunicado, a empresa declarou que "A App Store foi projetada para ser um lugar seguro e confiável para os usuários, e sempre proibimos estritamente aplicativos projetados para gerar, distribuir ou consumir pornografia." Pesquisadores identificaram que 70% de 155 aplicativos de troca de rosto analisados possuíam capacidades de nudificação. Em paralelo, a xAI abriu um processo contra um usuário por gerar conteúdo sexual abusivo infantil com o chatbot Grok, evidenciando o cerco judicial em torno de ferramentas de IA nos Estados Unidos.
Leia também
- União Europeia exige que Google compartilhe dados de IA do Android
- Apple e Google enfrentam investigações por apps de IA e apostas
Perguntas frequentes
Por que o Google terá que abrir dados de IA na Europa?
O Google deve abrir dados de IA para cumprir a Lei dos Mercados Digitais da União Europeia, estabelecida em 15 de julho de 2026. A medida visa equilibrar a concorrência com o Gemini, exigindo o compartilhamento de dados de busca e o funcionamento de assistentes virtuais de concorrentes no Android.
Quais recursos do Android serão afetados pela decisão da União Europeia?
A decisão da União Europeia exige a abertura de 11 recursos do sistema Android. Entre as principais mudanças que entram em vigor em 2027 estão a permissão para assistentes de voz de terceiros e o compartilhamento de dados de busca anônimos com desenvolvedores de inteligência artificial concorrentes.
Por que a Apple e o Google estão sob pressão nos Estados Unidos?
As empresas sofrem pressão em San Francisco para remover 13 aplicativos de "nudificação" que geram deepfakes íntimos não consensuais por meio de inteligência artificial. O Ministério Público local deu prazo de 28 dias para resposta, acusando as plataformas de lucrarem milhões de dólares com essas ferramentas prejudiciais.



