Principais pontos

  • A Amazon submeteu à FCC o pedido para operar uma constelação de 5.105 satélites.
  • O plano de expansão depende dos foguetes New Glenn, atualmente paralisados por falhas.
  • Dados da T-Mobile indicam que o uso de internet via satélite é ínfimo, cerca de 0,0002% do tráfego total.

A Amazon solicitou autorização à Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) para operar uma rede de 5.105 satélites voltada para telefones celulares. O projeto tem lançamento planejado para 2028 e visa integrar o serviço Leo de banda larga da empresa, aumentando a concorrência no setor de conectividade móvel. Para o mercado brasileiro, a empresa não informou prazos de disponibilidade ou preços em reais referentes ao novo serviço.

A iniciativa da Amazon ocorre após a aquisição das operações de satélite da Globalstar, realizada em abril de 2026. A empresa contava com US$ 255 bilhões em ativos correntes no mesmo mês. No entanto, o plano de lançamentos enfrenta desafios operacionais, pois a Amazon depende dos foguetes New Glenn da Blue Origin, que estão temporariamente aterrados após uma falha ocorrida em testes na sua base de lançamentos.

Atualmente, a SpaceX domina os mercados globais de internet via satélite e conectividade móvel direta para dispositivos. Para expandir sua atuação, a SpaceX investirá US$ 20 bilhões na aquisição de espectro da EchoStar. Além disso, a administração do presidente Donald Trump concedeu uma isenção à Starlink — divisão da SpaceX — em relação às restrições da FCC que proíbem o uso de roteadores e equipamentos de rede fabricados fora dos Estados Unidos.

Mercado de conectividade via satélite nos EUA

Apesar dos investimentos bilionários das empresas de tecnologia, a conectividade via satélite para celulares ainda enfrenta incertezas comerciais em relação à banda disponível e à demanda real dos usuários. O uso atual de dados via satélite em redes móveis tradicionais permanece extremamente reduzido, concentrado em áreas isoladas e sem cobertura terrestre.

"Just to give you an example, we look at our data in May, and satellite usage is 0.0002% of our total network usage. That’s three zeros. We’re seeing it largely focused on the national parks", afirmou Srini Gopalan, CEO da T-Mobile. Os dados citados pelo executivo mostram que o tráfego de dados via satélite representa uma fração insignificante do volume total de conexões da operadora.

Cenário regulatório e panorama no Brasil

As políticas governamentais norte-americanas têm buscado restringir hardware de telecomunicações de origem estrangeira por razões de segurança, motivo pelo qual a isenção concedida à Starlink se destaca no setor. As decisões da FCC afetam diretamente a cadeia de suprimentos e a fabricação de equipamentos de infraestrutura para as redes espaciais.

No Brasil, não há previsão de lançamento ou homologação da nova rede de satélites da Amazon até o momento. A disponibilidade de serviços diretos para celulares dependem de parcerias locais e autorizações regulatórias da Anatel, sobre as quais a empresa não informou detalhes.

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Perguntas frequentes

Qual o objetivo da Amazon com os novos satélites?

A Amazon planeja lançar 5.105 satélites voltados para conectividade móvel até 2028. O objetivo principal é expandir a oferta de internet via satélite para telefones celulares, integrando o serviço ao ecossistema de banda larga Leo da empresa e aumentando a competitividade global no setor de telecomunicações móveis diretas.

Quais os principais desafios para o projeto da Amazon?

O projeto enfrenta barreiras operacionais significativas, pois a empresa depende dos foguetes New Glenn, desenvolvidos pela Blue Origin, que estão temporariamente aterrados. Além disso, a SpaceX detém atualmente uma posição dominante no mercado global, exigindo investimentos robustos da Amazon para conseguir competir efetivamente na infraestrutura espacial de conectividade.

O serviço de satélites da Amazon funcionará no Brasil?

Não há previsão de lançamento ou homologação da rede de satélites da Amazon no Brasil até o momento. A viabilidade de serviços diretos para celulares em território brasileiro depende estritamente de parcerias com operadoras locais e de autorizações regulatórias específicas da Anatel, detalhes que ainda não foram divulgados pela companhia.