Principais pontos

  • A operadora PJM cortará energia de data centers acima de 50 MW a partir de 2027.
  • A rede da PJM atende 67 milhões de clientes e espera quadruplicar a demanda até 2035.
  • A startup Recursive Superintelligence firmou contrato de US$ 410 milhões com a AWS para computação.

A operadora PJM Interconnection anunciou que cortará temporariamente a energia de data centers nos Estados Unidos para evitar apagões na maior rede elétrica do país durante períodos de escassez na oferta. A medida atinge instalações com demanda igual ou superior a 50 megawatts e entrará em vigor a partir de junho de 2027.

Os consumidores afetados por essas interrupções programadas receberão compensações financeiras. Para manter as operações durante as suspensões, esses centros de processamento utilizam geradores a diesel como fonte alternativa de backup. No entanto, o uso desses equipamentos permanece limitado por regulamentações ambientais federais dos Estados Unidos. A rede operada pela PJM atende 67 milhões de clientes em uma área que abrange desde a Virgínia até Illinois, região onde a demanda elétrica impulsionada por data centers deve quadruplicar até 2035.

As restrições operacionais refletem um cenário de forte resistência comunitária ao avanço acelerado dessas infraestruturas computacionais. Em um caso recente, a administração de um subúrbio na cidade da Filadélfia estabeleceu 43 exigências específicas para autorizar a construção de um novo data center em seu território, sinalizando o aumento da fiscalização local sobre os impactos urbanos e ambientais do setor.

Demanda computacional impulsiona grandes contratos de IA

Apesar dos gargalos energéticos e regulatórios, os investimentos no setor seguem em ritmo acelerado por causa do avanço da inteligência artificial. A startup Recursive Superintelligence fechou um contrato de 410 milhões de dólares com a Amazon Web Services (AWS) focado exclusivamente na aquisição de capacidade computacional em nuvem. A empresa, que emergiu do modo oculto em maio com 650 milhões de dólares em investimentos, foca no desenvolvimento de sistemas de IA autorrecursivos.

O acordo prevê o lançamento de produtos tangíveis pela startup em outubro de 2026 e prioriza o poder de processamento em detrimento da expansão direta do quadro de funcionários. "Para nós, trata-se menos de contagem de funcionários e mais de contagem de agentes", afirmou Richard Socher, CEO da Recursive Superintelligence.

Além do fornecimento de processamento, a AWS atuará na criação de soluções personalizadas para lidar com as exigências desse modelo de negócio. "Parte do acordo é que vamos co-desenvolver infraestrutura construída especificamente para esses tipos de empresas", declarou Jason Bennett, vice-presidente de startups e venture capital na AWS.

Debate sobre sustentabilidade e impacto no Brasil

O avanço acelerado do consumo de energia por data centers nos Estados Unidos serve de alerta para o cenário brasileiro. Com a instalação de novas infraestruturas de nuvem por gigantes da tecnologia como Amazon e Google no Brasil, a pressão sobre o sistema elétrico nacional coloca a infraestrutura tecnológica no centro das discussões sobre política industrial e sustentabilidade.

Até o momento, não há previsão de medidas de corte preventivo de energia semelhantes às da PJM aplicadas às instalações operacionais no mercado brasileiro. A empresas não informaram o valor total dos investimentos alocados especificamente para a adaptação energética de suas instalações no país ou no exterior.

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Perguntas frequentes

Por que a PJM vai cortar energia de data centers?

A PJM Interconnection cortará o fornecimento para evitar apagões na rede elétrica durante períodos de alta escassez. A medida, que entra em vigor em junho de 2027, visa estabilizar o sistema em regiões onde a demanda por energia cresceu exponencialmente devido à expansão da infraestrutura computacional e tecnológica.

Quais instalações serão afetadas pelas novas restrições?

As restrições de energia atingirão instalações que possuem uma demanda elétrica igual ou superior a 50 megawatts. Empresas afetadas por esses cortes programados poderão utilizar geradores a diesel como fonte alternativa de backup, respeitando sempre as limitações impostas pelas regulamentações ambientais vigentes no território dos Estados Unidos atualmente.

Como a IA impacta a demanda energética desses centros?

O avanço da inteligência artificial exige um poder de processamento massivo, impulsionando contratos bilionários com provedores de nuvem como a AWS. Esse crescimento intensivo na demanda computacional sobrecarrega as redes elétricas locais, obrigando governos e operadoras a reavaliarem a capacidade de fornecimento e o impacto ambiental das infraestruturas.