Principais pontos
- Senadores americanos tentam barrar acordos com a CXMT e a YMTC devido a laços com o setor militar chinês.
- A Apple chegou a testar chips DRAM da chinesa CXMT para suprir a demanda global por componentes de hardware.
- O Departamento de Justiça dos EUA recorreu contra exigência judicial de liberar documentos de 14 agências federais no processo antitruste da marca.
Senadores dos Estados Unidos pressionam a Apple contra os planos de adquirir chips de memória das fabricantes chinesas ChangXin Memory Technologies (CXMT) e Yangtze Memory Technologies Corp (YMTC). A movimentação legislativa tenta barrar a iniciativa da empresa de contornar a escassez global de componentes, enquanto consumidores brasileiros monitoram os possíveis impactos na oferta e nos preços de iPhones no país.
Para tentar viabilizar a compra, a Apple solicitou aprovação do governo Trump, sob a alegação de necessidade de suprimento para seus dispositivos. A empresa norte-americana Micron, por sua vez, tenta persuadir a administração governamental a bloquear a solicitação da Apple. Segundo informações divulgadas pelo Financial Times, a gigante de Cupertino chegou a testar chips DRAM fabricados pela CXMT.
O impasse envolve questões de segurança nacional, visto que a CXMT e a YMTC são designadas pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos como empresas militares chinesas. Esta não é a primeira tentativa de aproximação: em 2022, a Apple planejou utilizar chips da YMTC nos iPhones destinados ao mercado chinês, mas desistiu do projeto após fortes críticas políticas. Diante do cenário de escassez global, o CEO da Apple, Tim Cook, declarou que "tudo precisa estar sobre a mesa". Por outro lado, Marco Rubio, ex-vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA, criticou a estratégia ao afirmar que a empresa está "jogando com fogo".
Impacto e incerteza no mercado brasileiro
No Brasil, onde os preços do iPhone estão entre os mais altos do mundo devido a tributos e custos de importação, a decisão afeta diretamente as expectativas do consumidor e do varejo. A busca da Apple por fornecedores chineses visa conter custos de fabricação e manter a escala de produção dos celulares. Se o governo dos EUA proibir o contrato com a CXMT e a YMTC, a Apple terá de recorrer a fornecedores mais caros ou enfrentar gargalos no fornecimento global, o que pode encarecer ainda mais os aparelhos ou reduzir a disponibilidade de estoque em revendedores autorizados no mercado nacional.
Até o momento, a empresa não informou prazos ou estimativas de repasse de custos para o mercado brasileiro.
Disputas judiciais e antitruste em outras frentes
Além da pressão geopolítica no Senado, a Apple enfrenta desdobramentos em instâncias regulatórias e judiciais nos Estados Unidos e no Reino Unido. No tribunal federal de Nova Jersey, o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) recorreu contra uma ordem judicial que exigia a entrega de documentos de 14 agências federais — incluindo a CIA, o FBI, a NASA e o Departamento de Segurança Interna — no processo antitruste contra a fabricante (nº 2:24-cv-04055). O governo alega erro de direito e sustenta que a medida impõe um ônus excessivo e desproporcional às agências.
Paralelamente, no Reino Unido, a Apple contesta uma proposta da Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA). O órgão regulador pretende exigir que Apple e Google permitam meios alternativos de pagamento fora da App Store e cobrem comissões razoáveis. A Apple criticou publicamente a consulta, alegando que o plano atua como regulação direta de preços e prejudica a inovação. "Sob a consulta, a CMA não apenas regularia os preços da Apple, mas também restringiria os produtos e serviços pelos quais a Apple pode cobrar uma comissão", afirmou um representante da empresa. A CMA nega a intenção de fixar preços e afirma buscar apenas transparência e concorrência.
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Perguntas frequentes
Por que o Senado dos EUA se opõe ao uso de chips da CXMT e YMTC?
O Senado dos EUA considera essas fabricantes chinesas como empresas com vínculos militares. A utilização desses componentes em dispositivos como o iPhone é vista pelos legisladores como um risco direto à segurança nacional, levando a pressões políticas para impedir qualquer contrato comercial entre a Apple e essas companhias asiáticas específicas.
Como essa disputa comercial pode impactar o preço do iPhone no Brasil?
Caso o governo americano bloqueie a compra de chips chineses, a Apple terá de buscar fornecedores mais caros ou enfrentar gargalos de produção. Esse aumento no custo fabril ou a redução da disponibilidade de componentes pode pressionar os preços dos dispositivos no varejo brasileiro, que já figuram entre os mais altos globais.
Qual é o posicionamento oficial da Apple sobre a pressão regulatória?
O CEO Tim Cook declarou publicamente que, diante do cenário de escassez global de componentes, tudo precisa estar sobre a mesa. A empresa busca viabilizar suprimentos para manter a escala de produção, apesar das críticas de políticos como Marco Rubio, que classificou a estratégia como perigosa para os interesses americanos.



